Os presentes comentários
objetivam desmentir a renitência de certos escritores de,
tempos em tempos, desenharem em suas manifestações
literárias um Cristo todo humano, voltado a comportamento
sexual, de nenhum modo condizente à realidade evangélica
registrada na história.
Assim retrata a obra
em epígrafe, de autoria do norte-americano Dan Brown, vendendo
15 milhões de livros. Seu enredo não é novidade,
antes o mesmo tema veio na pena do escritor Kazantzakis intitulada
“A última tentação de Cristo”, transposto para
o cinema com esse nome.
Ambos fundamentando-se
em arqueológico pergaminho manuscrito, achado, dentre outros
72, em 1945 numa caverna, região de Nag Hammadi no Alto Egito,
indevidamente denominado “Evangelho de Felipe”, não contendo
os ensinamentos de Jesus nem a autoria desse Apóstolo, datando
após o Século II D.C., desconhecendo-se o autor.
Tais escritos são
considerados apócrifos ou não canônicos, como
o são os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João,
eligidos pela Igreja Católica em Concílio de Cardeais
no ano 325 na cidade de Nicéia.
Notadamente esse pseudo
“Evangelho de Felipe” guarda o pensamento de inúmeras seitas
gnósticas, dos primeiros séculos, voltadas a conciliar
todas as religiões e explicar-lhes o sentido, pretendendo
conhecer aperfeiçoadamente a Divindade, com ensinamentos
transmitidos por tradição e ritos iniciativos.
É obra muito mal
escrita cujo eventual autor descuidadamente contradiz-se, negando
a princípio a concepção divinal, como se lê
de seu item 17: “alguns dizem que Maria concebeu por obra do Espírito
Santo. Esses se equivocam, não sabem o que dizem”, para depois,
afirmar positivamente no item 83, textualmente:
“Por isso Cristo nasceu de uma virgem, para reparar a queda que
ocorreu no princípio”, patenteando o descrédito da
obra.
Nesse mesmo Livro há
outro texto, cujo original encontra-se fragmentado com falhas, abusiva
e cerebrinamente preenchidas, sem saber-se por quem e quando, com
palavras propositadamente a efeito profano, como passaremos a transcrever,
convindo-se que o escrito entre colchetes e ora negritados “[ ]”
referem aludidas palavras pospostas preenchidas nos claros em fragmento,
no item 55: “A Sofia – a quem chamam a estéril – é
a mãe dos anjos: a companheira [ DE CRISTO É MARIA
] Madalena. [ O SENHOR AMAVA MARIA ] mais do que todos discípulos
[ E ] a beijou na [ BOCA REPETIDAS ] vezes. [Os demais ...] lhe
disseram: “Por que a queres mais que a todos nós? O Salvador
respondeu e lhe disse: A que se deve isso, que não vos quero
tanto quanto a ela?”
A citada indagação dos discípulos, e a “resposta”
atribuída a Cristo: “a que se deve isso?” eliminam a possibilidade
de haver Ele beijado na “boca repetidas” vezes, pois se assim Ele
teria perguntado, ignorava o motivo, e, à evidência,
os beijos não poderiam ter acontecido; tanto não ocorreram
que, do contrário poder-se-ia entender que os discípulos
também queriam ser beijados.
Nesse sentido manifesta-se
conhecido apocrifista espanhol, Antônio Piñero, catedrático
de Filosofia Neotestamentária da Universidade Complutense
de Madri, em sua Obra “O outro Jesus, Segundo os Evangelhos Apócrifos”,
Editora Mercúrio – Paulus, 2002, pág. 194, com as
seguintes palavras: “Sentença 55. O que oferece entre [colchetes]
corresponde a lacunas (rasgaduras) do manuscrito”, concluindo: “Não
é propriamente um evangelho, como se entende normalmente,
mas um tipo de catecismo gnóstico, na qual esse autor desconhecido
diz em diversas sentenças, resumidamente, o que um iniciante
no gnosticismo valentiniano devia saber.”
Sem ingressar-se no âmbito divinatório do subjetivismo
sobre o ilimitado poder de Deus, a que a virgem concebesse e desse
à luz um filho, contempla-se hoje essa mesma faculdade a
que se permite o limitado homem, recentemente alcançada com
o desenvolvimento científico na fecundação
“in vitro” de óvulo materno dentro de um tubo de ensaio nos
laboratórios, sem o contato carnal humano ou animal.
Ante esse peculiar acontecimento, o corpo de Jesus, gerado pelo
ilimitado poder do Divino Espírito Santo de Deus e não
sexualmente, era dotado de diferençada natureza fisiológica,
por isso não tendo caracteres genéticos transmissíveis
próprios dos demais seres, razão por qu ê anula-se
totalmente a mencionada apocrifia da sexualidade oscular, havendo
nos Evangelhos canônicos, escritos entre os anos 50 e 80 D.C.,
preciosos fatos probatórios dessa transcendental vinda do
Cristo em aparente forma humana, com um sistema arterial dessemelhante,
sangüíneo e também aquoso, ou seja, havia uma
parte arterial com sangue, e outra parte arterial com água.
Essa informação
colhemos do Evangelho de João, Cap. 19 v. 34, quando da crucificação
de Jesus: foi Ele lanceado “e logo saiu sangue e água”, e
na Epístola I esse Apóstolo, no Cap. 5 v. 6, acrescenta:
“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é,
Jesus Cristo: não só por água, mas por água
e por sangue.”
Cientificamente sabe-se
que a gestação, logo no início, ou seja, o
primeiro momento da vida em formação dentro do ventre
materno, começa quando o óvulo fecundado imediatamente
se colando à parede do útero, nele penetra uma molécula
de sangue, e posteriormente outras vão se somando, multiplicando-se,
formando o primeiro órgão, o coração,
depois, as células vão se multiplicando, cada uma
com sua própria natureza e formando todo o resto do corpo.
Mas, sabe-se também
que a encarnação da alma inicia-se nesse justo momento
da primeira molécula de sangue no óvulo, e é
através do sangue que essa energia espiritual se une ao corpo
para que haja vida, pois uma pessoa, quando seu espírito
se desprende, ela morre! ou morre o corpo e seu espírito
sai. Portanto, o vigor que anima essa máquina fisiológica
chamada corpo é a força do espírito encarnado
naquele corpo em formação, junto àquela pequenina
molécula de sangue para que sua energia forneça o
necessário à sua formação. A encarnação
é concomitante ao primeiro instante da vida. Não é
depois, quando o corpo nasce! e sim naquele instante momento.
Nesse aspecto, a palavra
abalizada da Igreja, na edição Barsa, 1964, da Bíblia
Sagrada, aprovada por sua Eminência Cardeal Dom Jaime de Barros
Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro, contém Dicionário,
autoria de Dom José Alberto L. de Castro Pinto, Bispo de
Guaxupé e Presidente da Liga de Estudos Bíblicos,
consignando:
“Alma – A alma humana
é racional, espiritual e imortal. Não deriva dos pais
por geração, nem transmissão, mas é
criada diretamente por Deus que a infunde no corpo humano, ainda
no seio materno, provavelmente no momento da fecundação”.
Então, por um
processo inexplicável, o corpo do Cristo, pela sua própria
gênese especialíssima, para que o Verbo se fizesse
carne, como diz João, em seu Evangelho, capítulo 1,
versículo 14, “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós,”
ou seja, a encarnação do Cristo no corpo de Jesus,
foi necessário que, além de artérias onde circulasse
sangue, nesse corpo houvesse artérias em que corresse água.
Porque a água seria um catalisador, um apreensor e condensador
do Espírito Divino de Cristo? Como o sangue o é para
a encarnação dos demais espíritos humanos?
Se assim o foi, só
o sangue não bastava. Para nós humanos basta o sangue
para haver encarnação e vida.
Porém, quanto
a Cristo, tornou-se necessário além do sangue, a água.
Não temos explicação científica. Mas
podemos analisar os fatos bíblicos.
A encarnação
só se dá pelo sangue, mas o Cristo a teve também
pela água. E essa é a energia do Cristo, sangue, água
e Espírito. O sangue é a energia biológica
do corpo animado pela energia da própria alma, ou seja, sangue
e espírito, mas sem a água o Verbo não se teria
feito carne. E tanto isso é verdade que a essa água
vertendo de seu peito lanceado na cruz, Jesus refere-se como estando
dentro Dele, a qual chama de água viva! ao dialogar com a
samaritana junto ao poço de Jacó (João, Cap.
4 v. 10): “Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que
te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água
viva!; v.13 – Jesus respondendo-lhe disse: Qualquer que beber dessa
água, tornará a ter sede; (água do poço);
v.14 – Mas aquele que beber da água que eu lhe der, nunca
terá sede, porque a água que eu lhe der se fará
nele fonte d’água que salte para a vida eterna”
Em João, capítulo
7:
v.37 – E no último
dia, o grande dia da festa, Jesus ficou de pé e clamou dizendo:
Se alguém tem sede, venha a mim e beba!
v.38 – Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água
viva correrão do seu ventre.
Essa água é
a energia condensando o Espírito do Cristo, possibilitando-O
vir no corpo semi-humano de Jesus, e verte mediante seu Evangelho.
Então, devemos espiritualmente beber da água vinda
no Evangelho de Cristo; sorver a energia do Espírito vinda
no corpo Dele por aquela água, energia catalisadora da encarnação
de seu Espírito.
Nesse sentido sobre Ele
profetizou Amós Cap. 8 v. 11: “Vêm dias, diz o Senhor,
em que enviarei a fome sobre a terra, mas não fome de pão,
nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.”
E no capítulo
12 v. 3, 700 anos antes, Isaías profetiza sobre a vinda de
Cristo: “ E vós com alegria tirareis águas das fontes
da salvação.”
O Profeta Jeremias, sobre
Jesus, Cap. 2 v. 13: “Porque o meu povo fez duas maldades; a mim
me deixaram, o manancial de águas vivas”; sendo que no Cap.
17, v. 13 também consta: “os que se afastam de ti serão
escritos no pó, por que abandonaram o Senhor, a fonte das
águas vivas”.
No Livro do Apocalipse
capítulo 22:
v.1 – E mostrou-me o
rio puro da água da vida. claro como cristal que procedia
do trono de Deus e do Cordeiro.
v.17 – E o Espírito e a esposa dizem: E quem ouve vê,
e quem tem sede venha, e quem quiser tome de graça da água
da vida
A água da vida desse rio procedente do Trono de Deus animou
o corpo semi-humano de Jesus, possibilitando a vinda do Cristo,
sem a qual a encarnação não se teria realizado,
água apreensora de sua energia espiritual derramada em forma
de Evangelho sobre toda a humanidade, pois o sangue o foi para a
forma humana.
Somos humanos por ser
nosso pai humano. Cristo só possuía a forma humana,
porque o Pai Dele não é humano. O Cristo é
Deus pois o Pai Dele é Deus! Deus gera a Deus, humano gera
humano. Espécie gera espécie. Daí a diferenciação
fisiológica de seu corpo.
Derradeira conclusão
há tirar-se desses extraordinários fatos, não
nascendo Jesus do concurso de um pai humano, sendo gerado diretamente
pelo Espírito Santo de Deus no ventre da Virgem Maria, não
Lhe eram aplicáveis as leis biológicas regendo a vida
temporal do ser humano, e, assim, não sendo transmitidos
caracteres genéticos humanos, compreensível não
possuir aptidão permissora da procriação, como
ainda se pode inferir do Evangelho de João, Cap. 4 v. 27,
no episódio com a mulher samaritana junto ao Poço
de Jacó:
“E nisto vieram os seus
discípulos e maravilharam-se de que estivesse falando com
uma mulher.”
Além desses apontamentos,
todo o Evangelho é pontilhado de inúmeros fatores
conducentes à especial natureza do corpo de Jesus, mas, mesmo
sem contar os feitos miraculosamente realizados, há várias
ocorrências manifestas dessa transcendentalidade biológica,
a começar por sua corpórea ascensão aos Céus.
Ao depois, pela faculdade de subitamente tornar-se invisível,
ocultando-se para livrar-se de agressões físicas,
o que seria humanamente impossível, como consta em muitas
passagens da Sagrada Escritura.
Segundo João Cap.
8. v. 59, após severa altercação com os judeus
no Templo, estes armaram-se com pedras para matá-Lo: “Então
pegaram em pedras para lhe atirarem”; “mas Jesus ocultou-se, e saiu
do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”
Como resulta do texto,
inequivocamente os fatos se verificaram dentro do Templo de Jerusalém,
estando cercado Jesus de vários judeus, não havendo,
assim, possibilidade de esconder-se no local, e se, para livrar-se,
“ocultou-se” retirando-se, evidentemente tornara-se invisível.
O mesmo aconteceu na
cidade de Nazaré após o Divino Mestre haver desprezado
os judeus na Sinagoga, negando-se a operar milagres como os realizados
na cidade de Cafarnaum, quando aqueles, reagiram e violentamente
o agarraram e o conduziram à força até um elevado
monte para jogá-lo e lhe causarem a morte, como relata o
Evangelho de Lucas, Cap. 4 v. 29 e 30:
“E, levantando-se, o
expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em
que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem.”;
“Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se.”
Claramente, Jesus se tornara invisível, mais do que invisível,
desmaterializado, pois do contrário não poderia “passar
pelo meio” dos encolerizados nazarenos e retirar-se a salvo.
Noutra ocasião,
no Templo, intencionavam os judeus apedrejá-lo, e chegaram
a tê-lo em mãos, porém Jesus do mesmo modo escapou,
conforme:
João, capítulo 10
v.31 – Os judeus pegaram
então outra vez em pedras para apedrejar.
v.32 – Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas
procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?
v.33 – Os judeus reponderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos
por alguma obra, mas pela blasfemia; por que, sendo tu homem, te
fazes Deus a ti mesmo.
v.39 – Procuravam pois prendê-lo outra vez, mas ele escapou-se
de suas mãos
Essa mesma faculdade de ocultar-se por desmaterialização
momentânea de seu corpo físico, Jesus Cristo a dominava
mesmo após sua ressurreição, penetrando em
recinto com a porta fechada onde se encontravam os Apóstolos,
após desaparecendo durante a refeição, como
se lê do Evangelho de Lucas, Cap. 24 v. 30 e 31: “ E aconteceu
que estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou
e partiu-o, e lhe deu.”; “E abriram-se-lhes então os olhos
e o conheceram e ele desapareceu-lhes.”
Outra faculdade humanamente incomum de Jesus, evidencia-se na levitação
sobre as águas, como se lê em Mateus, Cap. 14:
v.22 – E logo ordenou
Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem
adiante para a outra banda, enquanto despedia a multidão.
v.23 – E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar
à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.
v.24 – E o barco estava já no meio do mar, açoitado
pelas ondas; porque o vento era contrário;
v.25 – Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se
Jesus para eles, caminhando por cima do mar.
Além disso, de um lugar para outro distante, Jesus deslocava-se
fisicamente levado por poderes extraordinários, segundo Mateus,
Cap. 4 v. 1 a 14, destacando-se: v.1 “Então Jesus foi levado
pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo”.
Em Lucas, Cap. 4 v. 5:
“ O diabo, levando-O a um alto monte, mostrou-lhe num momento todos
os reinos do mundo.”; v.9: “O diabo levou-O a Jerusalém,
colocou-O no pináculo do templo”; v. 14: “Então, pelo
poder do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia.”