A oração
“Pai Nosso” ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo (Mateus cap.
6, vs 9 a 13) encontra-se violada em seus termos nas edições
multifárias da Sagrada Escritura, editadas pelas inúmeras
denominações e seitas religiosas.
Com
efeito, há três reparos a fazer-se, primeiramente quanto
ao vocábulo perdão, literalmente significando indulto
ou dispensa de pagamento sem contra-prestação por
parte daquele a ser perdoado.
Por
essa razão não há como esse referido termo
adequar-se na oração, haja vista o condicional “assim
como” vindo em seqüência. Nessa última expressão
evidencia-se a indispensável exigência da contra-prestação
igual ou proporcional, àquela pretendida pelo orador, incompatibilizando
inteiramente o significado real do aludido “perdão”.
Ademais,
“perdão” não existia na língua latina na qual
a Bíblia originalmente foi escrita, uma vez somente ter surgido
no latim-tardio, após o século II D.C. grafada desde
então, “perdonare” (cf. Dicionário Aurélio,
Século XXI).
Na
realidade o que originalmente se encontra escrito no Evangelho corresponde
ao verbo renunciar, em latim, “admitio” vindo na Vulgata Latina,
mais consentâneo ao ensinamento crístico para elevar-se
a petição do fiel a Deus Pai, bastando para isso entendermos
essa vocalização representar idéia mais aperfeiçoada,
da aludida contra-prestação exigida na oração
em tela, dado a referida expressão ensinada por Jesus “assim
como”, ou em nossa linguagem vulgar: “toma lá, dá
cá”, ou evangelicamente: “a cada um segundo as suas obras”.
O segundo
reparo reside na frase “não nos deixeis cair em tentação”,
quando na realidade o termo encontra-se escrito: “não nos
induza em tentação”, sendo certo que os credos religiosos
não podendo ou não sabendo como apresentar aos fiéis
um Deus que nos faça cair em tentação, entenderam
alterar a realidade ensinada da oração em sua originalidade,
pois a verdade histórica é que, na Bíblia Vulgata
compilada, revista e traduzida do grego, hebraico e aramaico, por
São Jerônimo no Século IV, o texto em tela escreve-se:
“et ne nos inducas in tentationem”, ou seja a mencionada expressão
acima “não nos induza em tentação”.
O terceiro
e último reparo encontra-se no final do versículo
13, comumente orado: “Mas livrai-nos do mal”, quando o correto,
segundo a Vulgata é: “Mas livrai-nos do mau, como escrito:
“Sed libera nos a malo”, em referência ao Diabo.
Na
Bíblia de versão inglesa, traduzida não da
Vulgata Latina, mas diretamente do grego, hebraico e aramaico, editada
em Nova York em 1984 pela “Watch Tower Bible and Trace Society of
Pennsylvania – International Bible Students Association”, os textos
ora comentados, estão escritos fielmente às presentes
observações:
“E não
nos leves à
tentação,
mas livrai-nos do iníquo”
* * * * * * *
Em
tempo – Quanto à incógnita do induzimento em tentação,
tentaremos responder a quem se interessar.
Autor:
Haroldo Bastos Lourenço – Advogado OAB/SP n. 9.535
E-mail: haroldolourenco@yahoo.com.br
Rua Banibas, 74 Alto de Pinheiros
São Paulo/SP – Brasil
Tel. 55 (0xx11) 3031-8085