Desde há muitos séculos comete-se clamorosa injustiça
contra Maria Madalena, atribuindo-lhe conduta libertina. Erram todos
aqueles ao considerarem tratar-se da “pecadora arrependida” que
molhou os pés de Jesus com suas lágrimas, enxugando-os
com os próprios cabelos, ungindo-os com óleo perfumado,
cena que de fato aconteceu não só uma vez, porém
em duas ocasiões diferentes, em lugares diversos, e praticados
por duas mulheres, não sendo qualquer delas a pessoa de Santa
Madalena, como claramente iremos demonstrar com base única
na verdade histórica contida nos Santos Evangelhos de Mateus,
Marcos, Lucas e João.
De
início, cumpre assinalar que na descrição dos
fatos Evangelistas se dividem em dois grupos. De um lado, no Cap
7 v. 37 refere-se Lucas única e isoladamente à unção
feita pela “pecadora arrependida”; e de outro lado, Mateus Marcos
e João nada mencionam sobre a “mulher de má vida”
citada por Lucas, porém retratam uma outra semelhante ocorrência:
“Jesus ungido em Betânia” sendo João mais expresso
“Jesus ungido por Maria em Betânia” (nessa ordem, Cap 26,6
1:3:4 12.1).
Feito
o relato, passemos às provas irretorquíveis da honra
e dignidade inatacáveis da vida de Santa Maria Madalena,
primeiramente demonstrando, para melhor compreensão e separação
das duas unções ocorridas em lugares diversos e em
diferentes épocas.
Quanto
aos lugares conta São Lucas (Cap 7.37) que Nosso Senhor Jesus
Cristo encontrava-se em casa de um fariseu por nome de Simão,
onde fora convidado a jantar: “E eis que uma mulher da cidade, pecadora,
sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um
vaso de alabastro com ungüento” v.37,8 “ e, estando por detrás,
aos pés chorando, regava-os com suas lágrimas e os
enxugava com seus próprios cabelos; e beijava-lhe os pés
e os ungia com o ungüento”. Em seguida, o relato sagrado fala
que Nosso Senhor após propor ao fariseu a parábolas
de “Credor e seus dois devedores”, v. 48 – “Ent~qo disse à
mulher, perdoados são os teus pecados”, “A tua fé
te salvou; vai te me paz”.
Ora,
Mateus de Marcos, atestam que a outra unção dos pés
do Divino Mestre deu-se em outro local na “casa do Simão,
o leproso” (respectivamente, Cap 26:6 e 14:3) em Betânia,
uma “aldeia que estava cerca de 15 estádios (600 metros de
Jerusalém ) segundo a narrativa de S.João (Cap 11:18)
e não na “cidade” em casa de Simão e Fariseu, como
afirma S.Lucas.
Assim,
fica claramente posto haver acontecido cenas idênticas, mas
em lugares diversos.
Tratemos
agora da situação dos fatos no tempo, demonstrando-se
que eles ocorreram em diferentes ocasiões para depois comprovarmos
que Maria Madalena não se encontrava em nenhum dos citados
locas, nem na casa do Fariseu na cidade, nem em casa do leproso
em Vila Betânia.
O que
mais ainda torna diferenciado um episódio do outro, é
a situação cronológica dos acontecimentos a
indicar a ocorrência das duas unções em épocas
diversas. A unção na Aldeia de Betânia ocorreu
poucos dias antes da Páscoa.
Marcos
e Mateus assinaram 2 dias (Cap. 26,,2; 14,1) João refere-se
a: “ 6 dias antes da Páscoa. Foi Jesus para Betânia,
onde estava Lázaro, a que ele ressussitara dentre os mortos”
(Cap 12,1). Como é sabido, logo após aquela festividade
religiosa, mencionada na Escrituras como “A Santa Ceia do Senhor”
o Nazareno foi preso e elevado no Calvário. Ora, a outra
unção da cena da pecadora, desenrolou-se em tempo
mui recuado, antes de vários acontecimentos a saber; antes
do Divino Mestre haver acalmado uma tempestado no lago de Genezaré
quando com seus discípulos “rumaram para a terra dos gerazenos,
fronteira da Galiléia” (Cap 8,22) onde foi curado: “um homem
possesso de demônios” (Cap 8,26) bem antes ainda da ressurreição
do filho de Jairo, chefe da Sinagoga (Cap 8,49), e também
da cura de uma mulher hemorrágica que há 12 anos sofria;
da multiplicação dos pães, e de muitos outros
acontecimentos milagrosos inclusive bem antes da proposição
da “parábolas”, tudo isso inequivocamente demonstrando uma
separação de muitos meses e talvez anos entre a cena
da “pecadora arrependida”, citada por Lucas, com acontecimento da
unção de Nosso Senhor Jesus Cristo na “Aldeia de Betânia”
em fins do Messiado, esta última descrita por S. João:
“deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro
um dos que estavam com ele à mesa” (Cap 12, 2); “Então
Maria tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso,
ungiu os pés de Jesus e enxugou os cabelos: “e encheu-se
toda a casa com o perfume do bálsamo” Todavia cumpre assinalar
que essa Maria não se tratava também de Madalena,
mas da irmã de Lázaro, como claramente informa S.João
(Cap 11,1), “Estava enfermo Lázaro de Betânia, da Aldeia
de Maria e Marta, sua irmã, (Cap 11,1) “Esta Maria, cujo
irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu
com bálsamo o Senhor, e lhe enxugou os pés com os
cabelos” (Cap. 11,2), ficando assim evidentemente afastado o equívoco
de atribuir à Santa Maria Madalena a unção
dos pés de Jesus, Nosso Cristo Redentor, nem com “ungüento”,
na cena descrita por São Lucas em casa do Fariseu na cidade,
nem com “bálsamo” na Aldeia de Betânia, no relato dos
demais Evangelistas, Mateus, Marcos e João.
Ocorre,
ainda que se a pecadora ficou inominada por Lucas, havendo sido
despedida pelo Mestre, o mesmo não sucede com relação
a Maria Madalena a qual se encontrava perfeitamente identificada,
segundo a narrativa desse Médico dos Apóstolos destacando-a
dentre “As mulheres que serviram Jesus”, conforme explanação
contida no Cap. 8, logo o seguinte ao ora comentado, a identificando
não como sendo a pecadora, mas sim claramente como a “mulher
da qual saíram sete demônios” (Cap. 8,11), lendo-se
que: “andava Jesus de Cidade em Cidade, de Aldeia em Aldeia, pregando
e anunciando o Evangelho do Reino de Deus, e os doze iam com Ele;
e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos
malignos e enfermidades; Maria chamada Madalena, da qual saíram
sete demônios, Joana, mulher de Cuza, procurados de Herodes,
Suzana e muitas outras as quais lhe prestavam assistência
com seus bens”.
Dessa
forma, torna-se claro que a citação feita por Lucas,
indicando no Evangelho a origem de Santa Maria Madalena, evidencia
por si só, não se tratar daquela outra, a mencionada
pecadora. Haja vista principalmente que Maria Madalena antes de
ser curada por Jesus sendo possessa de demônios lhe era impossível
à manifestação de espírito de fé,
sendo certo que a fé foi a razão pela qual Jesus perdoara
a pecadora, quando lhe disse: “a tua fé te salvou”.
Após
a expulsão dos 7 demônios que a subjugavam, Santa Maria
Madalena profundamente agradecida, juntamente com outras mulheres
também curadas de várias enfermidades, passou a seguir
o Divino Mestre, acompanhando-o em suas pregações
da Boa Nova, e o servindo com seus bens, até o dia final
do holocausto do Cordeiro de Deus no Calvário, onde permaneceu
ao pé da Cruz junto a Nossa mãe Santíssima,
e foi a ela quem o Divino Filho do Deus Altíssimo primeiramente
apareceu, naquela linda manhã do domingo na Ressurreição.